Educação financeira sustentável
Postado em July 1st, 2008Estava lendo no InfoMoney e no Dinheirama sobre esse conceito que anda aparecendo por aí: Educação Financeira Sustentável. Confesso que sabia muito pouco sobre isso e à medida que fui lendo, descobri uma linha de pensamento muito interessante e que tinha muito a ver com que penso sobre o assunto.
O conceito implica além da segurança financeira, a qualidade de vida. O raciocínio é do especialista Aron Belinky, secretário-executivo da Ecopress, que diz que o principal objetivo da educação financeira sustentável é proporcionar qualidade de vida, garantindo que tenhamos - hoje e no futuro - a segurança material e as condições para uma vida feliz, com realização pessoal e profissional.
“O objetivo é mudar o pensamento de acumular cada vez mais dinheiro para a idéia de viver cada vez melhor”, afirma Belinky.
Realmente existe coerência em seu pensamento. Ter mais dinheiro não significa ser mais feliz ou ter mais qualidade de vida. Claro que depende da pessoa, não vou generalizar, pois tem gente que acha que é feliz porque tem dinheiro e “ai” de quem tentar lhe provar o contrário. Cabe a cada pessoa definir o que é qualidade de vida e o que não é. Em um post do Navarro diz que “qualidade de vida é ter o que você merece, mas também ter responsabilidade e preparo para poder sempre correr atrás do que merece. Qualidade de vida é gastar seu dinheiro com você, desde que você não entre em conflito com você mesmo. É comprar quantas calças, carros e apartamentos você quiser, desde que você faça isso por você, para você.”
Mas o que é que a qualidade de vida tem a ver com a educação financeira? Tudo! Para viver melhor e ter um futuro sossegado e feliz, é necessário planejar o hoje, é necessário ter um planejamento financeiro que lhe garanta um futuro agradável, evitando situações de riscos e carência. Pode parecer desinteressante, uma coisa chata, sem importância, mas ninguém sabe o dia de amanhã e como as coisas estão caminhando, em meio a toda essa situação do país e do mundo, é sempre bom prevenir e garantir o amanhã.
Para isto Belinky enumera três princípios básicos para ser educado financeiramente e de uma forma sustentável:
- Leve em conta a real satisfação que tem com cada coisa que faz com o dinheiro;
- Respeite o tempo que você trabalhou para ganhar e avalie a necessidade de gastar;
- Evite o desperdício e o acúmulo desnecessário.
Então tome as devidas atitudes para mudar, pois de nada adianta só falar se não colocar essas dicas em pratica. Gaste o que for preciso, priorize a satisfação ao consumo, pratique o raciocício sustentável, pense antes da compra, poupe, faça investimentos. E então aproveite a sua vida sem se preocupar com o futuro.
Educação financeira desde cedo
Postado em May 1st, 2008
Num domingo passado estava assistindo ao Fantástico quando uma reportagem me chamou a atenção (vide vídeo acima), ao relatar como a família Padilla começou a praticar desde cedo lições de economia. Tais lições vêm de um sistema criado pela consultora financeira americana Neale Godfrey, que há 20 anos decidiu se dedicar a escrever livros de economia para crianças e para os pais. Suas idéias são adotadas por milhões de famílias americanas e aplicadas em colégios para mais de dois milhões de alunos.
Segundo Neale, os filhos devem ser assalariados e devem lidar com o dinheiro desde pequenos, assim entenderão por que não devem fazer birra quando os pais lhe negarem algum presente. É muito importante que eles saibam o real valor do dinheiro e para isto é preciso mantê-los perto desse assunto. Muitos pais preferem deixar os filhos fora da situação financeira da família, e com isso eles ficam inseguros por não saberem o que está acontecendo. Se você não fala sobre dinheiro, seus filhos não vão entender a realidade, e com isso podem ficar iludidos em relação ao mundo, pois quando descobrirem que as coisas não são à base do “eu quero agora” ficarão frustados.
É muito mais fácil ensinar certas coisas à uma criança do que a um adolescente, por isso quanto mais cedo os pais começarem a praticar educação financeira com seus filhos, melhor será. O método utilizado pela família Padilla, que foi criado por Neale, se basea em incorporar as lições nas atividades cotidianas. Há lições que não devem ser remuneradas, que todas as crianças têm que cumprir sem receber nada em troca, como ir para a cama quando os pais mandarem, escovar os dentes, arrumar os brinquedos. Nas tarefas em que recebem dinheiro, elas aprendem habilidades para a vida e como uma casa funciona. Devem ser tarefas simples e pequenas, para que elas aprendam que o único jeito de ganhar dinheiro é pelo trabalho. Conforme as crianças vão crescendo as tarefas vão mudando. Quando a tarefa é terminada, a criança deve verificar se ela realmente conseguiu alcançar o resultado esperado. Assim, ela aprende a se orgulhar do que fez, evitando que tornem-se pessoas materialistas. Logo, ela deve receber o dinheiro em prazo estabelecido pelos pais e dividí-lo em quatro cofrinhos etiquetados : No primeiro ela deve depositar 10% do que recebeu, que será destinado à caridade; no segundo, denominado “dinheiro rápido”, ela terá 30% para pequenas compras que deseja realizar a curto prazo; no terceiro entram mais 30% para economias de médio prazo, com isso a criança aprende a poupar para gastar com algo maior que queira no futuro (algo em torno de duas semanas já é o suficiente para uma criança pequena, aumentando-se esse prazo para as maiores); e no último cofrinho estão os 30% destinados às economias de longo prazo, para, por exemplo, pagar a faculdade.
Ao contrário do que muitos pensam, esse método não torna a criança materialista e nem prejudica a infância. Não se trata de passar por cima desta, trata-se de tornar a criança capaz de realizar coisas, e que com isso ela possa distinguir melhor os valores materiais dos demais valores, e futuramente não vão achar que são melhores por que têm um roupa de grife. Na verdade, essa é uma maneira de se acabar com o materialismo. A criança tem em suas mãos a decisão do que fazer com o dinheiro, sendo capaz de realizar suas próprias escolhas.
É claro que educação financeira cabe também à escola, mas infelizmente isso não é muito transmitido às crianças, principalmente aqui no Brasil. É por isso a presença dos pais nesse assunto é tão importante. Sente com seu filho e mostre-o algumas contas, como escola, TV a cabo, telefone, internet, curso de inglês. Assim ele pode ter a dimensão do custo das coisas que ele usufrui e não ficará tão alienado da situação financeira da família. É fundamental mostrar que “dinheiro não dá em árvore“, que as coisas não são tão fáceis quanto parecem e que, para poupar ele terá que abrir mão do consumo imediato. Pense que a educação financeira é o melhor caminho para que as crianças de hoje se tornem adultos equilibrados do ponto de vista orçamentário, e que os pais têm papel imprescindível nessa formação. Se não aprenderem com os pais, aprenderão com a vida, e com certeza levará mais tempo e mais sofrimento.
Pense nisso!
Sonhos e consumismo
Postado em April 21st, 2008
O que vem na sua cabeça quando relaciona-se sonhos e consumismo? Na minha, a relação entre essas duas palavrinhas está cada vez mais distante. As pessoas hoje em dia estão consumindo muito e planejando muito pouco. Como o mercado funciona a base de atrações e tentações, nós somos levados ao consumo imediato, e futuro é uma palavra que está ficando cada vez mais escassa quando queremos comprar algo. É claro que quando queremos comprar um carro, uma casa, um bem desse porte, é necessário planejar, pois são poucos os que pagam em “cash”. Mas não é isso que estou querendo dizer. Estou tratando desse consumo que nos leva a estourar cartões de créditos, entrar no cheque especial, pedir dinheiro emprestado ou coisa parecida. Se as pessoas pensassem mais, controlassem melhor os seus desejos imediatos e planejassem mais, as coisas iriam começar a se ajeitar.
Sonhar… Ah! Sonhar… é tão bom! Te estimula a traçar caminhos, a cumprir metas, a se esforçar cada vez mais. Se nós sonhássemos mais quando desejássemos aquela bolsa que custa mais da metade do nosso salário, iríamos nos afastar do desejo imediato da compra, adiando-a o máximo possível. Agora, o próximo passo é planejar a compra da bolsa. Nesse caso, planejar é ver se você realmente precisa dela, se você não está agindo somente por compulsão, se você tem condições de pagar por ela e, caso tenha, vá a loja e tente negociar a melhor forma de pagamento. Caso você seja paciente, esperar por uma liquidação é uma ótima idéia, mas só funciona se a bolsa não for realmente útil pra você agora.
Bom, eu dei um exemplo um pouco feminista (pois é mais fácil para mim -rs), mas, na verdade, a idéia era exemplificar minha linha de raciocínio sobre sonhos e consumismos. Quando eu falo em sonho, relacionando este com o consumismo, não precisa necessariamente ser longos sonhos, daqueles de uma vida inteira. É basicamente um desejo prolongado, é limitar o seu desejo imediato e transformá-lo em um desejo a médio ou a longo prazo. Pode parecer mentira, pode parecer difícil, mas não é! Se tivermos mais paciência, se formos mais atentos e menos impetuosos, com certeza iremos respirar mais aliviados no fim do mês. O desejo deseja o desejo, mas não podemos simplesmente cruzar os braços e nos deixar levar por essa “sedução”. Vamos sonhar mais e desejar sim, mas tomando o cuidado de limitar os nossos desejos, para que estes não nos levem a consumir desnecessariamente. Vamos começar aos poucos, tentando nos adaptar com essa nova idéia. Sua vida vai melhorar e quando você vê, já será facil controlar consumos compulsivos e planejar gastos que lhe proporcionarão bem estar sem atacar ferozmente seu bolso.
Ps: Nos próximos dias iremos lançar uma série que irá chamar a sua atenção: Jovens Empreendedores. Não deixe de conferir.
Educação financeira - vamos logo começar a praticar!
Postado em April 8th, 2008
Falta grana no final do mês? Você não sabe para onde vai seu salário, só sabe que é baixo e que precisa de um aumento? Você está cansado de ralar o mês todo e chegar no final a grana ser curta? Pois bem, você pode ser um analfabeto financeiro e nem se dar conta disso. A palavra analfabeto é bastante “pesada”, mas é que quero chamar sua atenção para o que vou dizer.
Você já parou para pensar sobre este assunto? E por um acaso sua conclusão foi que a grana é curta, seu patrão não lhe paga bem ou o governo está “comendo” todo seu dinheiro? Pois é, o problema pode ser você e seu controle financeiro (ou a falta deste) e você nem ter se dado conta disso. Vamos raciocinar juntos. Por um acaso você contabiliza suas despesas na ponta do lápis? Sejamos mais específicos. Aquele troco que você recebeu na padaria, o que fez com ele? Aquela surpresa que você fez a seu (sua) namorado(a), lembra? Aquela caixa de chocolate da Kopenhagen que você deu de presente a seu(sua) namorado(a) pra fazer uma média… por acaso tudo isso está contabilizado? É quando sua grana vai embora e você nem se dá conta.
Outro dia estava lendo um artigo de uma pessoa que entende muito do assunto, e neste artigo ele propõe o seguinte:
Anote tudo, mantenha um rígido e documentado controle de seu fluxo de caixa. Recomendo que cerque seus impulsos com fatos, estatísticas e não apenas com a esperança. A disciplina necessária para manter o orçamento em dia transformará sua rotina mais rápido do que você imagina. Experimente!
Eu experimentei e aprovei! Dá certo mesmo! Se você colocar tudo na ponta do lápis e começar a ser mais rígido com seus gastos, com certeza sua grana vai render até o final do mês e ainda sobrar alguma coisa para você fazer o que bem entender. Mas faça bom uso do que sobrar. Não gaste, invista, poupe, você ainda irá me agradecer por este conselho. Não está acreditando? Eu proponho o mesmo desafio. No final de sua experiência me conte o resultado. Tenho certeza que será positivo.
Dica: faça seu orçamento de receitas e despesas e saiba o que realmente está fazendo com seu dinheiro (ou o que ele tem feito com você). Use uma planilha eletrônica para isso. O Dinheirama pode te ajudar com isso oferecendo uma planilha previamente pronta, é só baixar para seu computador e fazer um bom uso da mesma.
Comprar ou não comprar? Eis a questão
Postado em April 5th, 2008
Comprar. Quem não gosta dessa palavrinha, não é? Se olharmos no dicionário, comprar significa apenas adquirir, obter, subornar. Mas todos nós sabemos que vai muito além dessa simples definição. A dimensão do significado de comprar varia de mente para mente, e haja definição para esta palavra quando se trata da mente feminina, não é?
É aí que eu queria chegar! Bom, hoje eu estava no ônibus e duas mulheres conversavam na minha frente (eu diria até que bastante alto - rs). Jovens, bonitas, bem arrumadas. Até aí tudo bem. Eu estava lá, na minha, até que uma delas vira pra outra e fala: “Ah amiga, tô até vendo sabe?! Vou começar a trabalhar segunda e já vi que meu salário vai todo pra roupa e sapato. Fazer o que, né?”. Aí a outra me vira e fala: ” Ihh! Não esquenta, comigo também é assim. Não sobra nada depois das compras”. Então fui pra casa e fiquei pensando: O que faz duas jovens, bonitas e bem arrumadas se tornarem tão compulsivas e conformadas?
É claro que essa sociedade de consumo em que vivemos hoje já nos leva para esse “mal caminho”. Mas isso não é tudo. Não podemos simplesmente colocar a culpa na sociedade e ponto, afinal, no fundo a culpa é nossa, nós somos levados para esse caminho e no final até gostamos, não é? ( E como!). O mercado de consumo seduz os consumidores (que não ligam nem um pouco de serem seduzidos), aguçam seus desejos e necessidades, fazendo estes crescerem cada vez mais, e como nunca encontram a satisfação desejada, um novo desejo e uma nova necessidade vêm e tudo começa de novo. Esse é o ciclo do consumidor ideal.
E é nesse ambiente de consumo que as pessoas estão ficando cada vez mais conformadas em serem consumistas de carteirinha e no comodismo vão esquecendo de mudar. Aí vem aquele dilema: “Você consome para viver ou vive para consumir?” Se você respondeu a segunda pergunta, é hora de parar um pouco e refletir. Tá, tudo bem, eu sei que é difícil, principalmente se você é mulher, porque não é fácil, não é? Imagine só: você passeando no shopping e de repente aquela blusa perfeita, dos seus sonhos, te encanta e te paralisa ali, na frente da loja. Poder comprar você pode. Mas aí no fundo aquela blusa vai acabar te dando aquela dor de cabeça na hora de pagar e você fica na dúvida por alguns instantes. No fim a sua compulsão acaba levando a blusa pra casa. E em casa você só consegue lembrar da fatura no fim do mês, ou seja, o prazer da compra foi engolido pela culpa. Que situação, né?
Andar sem dinheiro, sem cartão de crédito, sem cheque, pode ser uma solução para quem quer começar a mudar de postura. Não é 100% de garantia, porque quem quer mesmo comprar acaba comprando. Mas só de você adiar a compra já é um ótimo começo, assim vai dá pra pensar direitinho se vale mesmo a pena comprar agora ou se pode deixar pra depois. E esse depois muitas vezes pode se tornar muito mais interessante e prazeroso. A partir daí você já começa a ter uma atitude mais racional em relação aos seus hábitos de consumo e já pode começar a planejar. O planejamento das compras pode lhe garantir benefícios que você nem imagina, te levando ao “bom caminho”, que prefiro chamar de educação financeira, mas isso já é assunto para um próximo post.











