Consumismo em moda e dívidas crecentes
Postado em June 24th, 2008Metade da população brasileira está endividada. A culpa é de quem?
Ontem, subindo para a faculdade de ônibus, tive a (in)felicidade de me sentar na frente de dois homens com idades por volta de 30 e 40 anos, ambos com baixo nível de escolaridade, trabalhadores informais, moradores de uma comunidade pobre da cidade onde moro. Eles conversavam em um tom de voz alto e não teve como deixar de ouvir a conversa, principalmente pelo fato do assunto que eles estavam tratando era de alta preocupação minha. Um deles começou reclamando que havia comprado um carro velho, mas que este se encontrava na oficina e só após o pagamento de uma quantia de aproximadamente quinhentos reais o carro seria liberado. Isso já me deixou preocupado, pois uma pessoa com essas condições não poderia ter quinhentos reais, mais uma quantia considerável para pagar o carro e, se tivesse, com certeza haveriam outras prioridades para o uso deste dinheiro, afinal, ter um carro em uma cidade pequena, como é a minha, é artigo de luxo. Prosseguindo com a conversa, o dono do carro mudou de assunto e disse que iria pegar vinte reais com uma pessoa que estava lhe devendo para começar a pagar as parcelas do cartão de crédito que seu colega que ali presente iria lhe emprestar para comprar uma calça em uma loja de grife da cidade, pois seu nome estava “sujo” e ele não iria conseguir qualquer forma de crédito. Para mim aquilo foi o cúmulo. Quando foi mais no final da conversa o outro homem reclamou de sua falta de estudo, e o outro completou dizendo que “se nois ainda fosse inteligente, até compensaria nossa farta de estudo, mas nois num é” e, imediatamente, o outro rebateu “por isso que a gente num consegue um bom emprego pra ganha uns trocado a mais”. Isso mexeu profundamente comigo e me fez pensar um pouco sobre tal situação.
Hoje, ao entrar na internet e começar a ler as notícias do dia, como faço todos os dias, me deparei com uma notícia no G1 falando que oitenta milhões de brasileiros têm dívidas, e que quinze milhões deste total são dívidas com valor acima de cinco mil reais. Quais são as classes mais atingidas com isso? Classes C, D e E, claro. Uma das justificativas apresentadas são as facilidades de crédito oferecidas. Com a facilidade de fazer todo tipo de compra financiada, o consumidor acaba por comprar mais do que deve e, por conta disso, não consegue pagar suas dívidas. A situação se agrava pelo fato de que a inflação no Brasil está subindo, o que dificulta o pagamento dessas dívidas. As classes mais atingidas por essa situação também não tem formação o suficiente para poder entender o que está acontecendo e acabam ficando no escuro.
Olhando a economia e a educação dessa forma, podemos entender a situação e a forma de pensar dos dois cidadãos que citei no início deste texto. Quem não tem informação ou não consegue absorver as informações recebidas, acaba por se afundar em um buraco sem fundo, onde sempre pode estar pior do que já está. Como já diziam os imortais Mamonas Assassinas “a minha felicidade é um crediário nas Casas Bahia”. Está aí a armadilha para o endividamento das classes baixa da população. Está aí uma das nossa grandes preocupações com o povo brasileiro. Quem tem culpa nessa história? Todos nós, desde sempre. O que fazer agora? Difícil listar a solução, mas se cada um de nós fizermos um pouquinho, sei que a situação do povo brasileiro um dia vai melhorar. O que eu faço hoje? Escrevo para aqueles que tem acesso a um computador, alertando dos perigos que estão correndo frente à economia e a outros monstros que existem pelo mundo prontos para devorar aqueles mais fracos. E você, o que faz por um mundo melhor?
Risco Brasil eleva-se a grau de investimento - Entenda melhor
Postado em May 5th, 2008Vamos entender de forma bem rápida o que é esse grau de investimento e o que o Brasil (e você, brasileiro) tem a ganhar com isso.
O que é?
O grau de investimento concedido ao Brasil na última quarta-feira (30) pela agência de classificação de risco Standard & Poor’s funciona como uma permissão para que investidores estrangeiros apliquem seu dinheiro em papéis da dívida brasileira. Tal classificação não era esperada antes do final de 2008, início de 2009, por isso tanta euforia com esta notícia.
O que o Brasil tem a ganhar com isso?
A possibilidade de atrair ainda mais recursos de fora é muito grande. Com isso, o real deve se valorizar ainda mais frente ao dólar. Além disso, ações de empresas, como de bancos por exemplo, terão melhor avaliação de investidores e devem ter valorização significativa no curto prazo.
Já é fato!
“A Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) fechou em alta nesta sexta-feira, ainda sob o efeito da elevação da nota de risco do Brasil para grau de investimento pela Standard & Poor’s na última quarta-feira (30). A sessão foi de euforia no mercado, com o Ibovespa ultrapassando pela primeira vez os 70 mil pontos no início das operações. O dólar, por sua vez, atingiu a menor cotação em nove anos ao ser cotado a R$ 1,65 para venda, em queda de 0,84%.”
fonte: Folha Online
Estupenda alta na Bolsa de Valores e queda significativa do dólar são fatos extremamente gratificantes, o que possibilita melhorias em nossa economia. É claro que toda essa euforia da boa nova inesperada para o presente momento irá acalmar-se nos próximos dias e essas drásticas altas e baixas irão se tornando cada vez menos acentuadas, o que não significa que irão acabar.
Muita calma nesta hora!
Alguns países, como Rússia e Argentina, já estiveram em posição semelhante à que o Brasil se encontra agora e acabaram dando calotes e jogando longe as boas perspectivas trazidas pelo capital estrangeiro. Também alerta-se para a recente crise moral das agências de risco, que acabaram por dar ótimas notas ao mercado imobiliáro americano e o mesmo entrou em colapso logo em seguida. Neste caso é importante ficar sempre ligado.
Espero que tenha dado para entender melhor o que foi essa novidade tão comentada nos últimos dias. Qualquer dúvida, sugestão ou comentário será muito bem vindo.
Grande abraço a todos!











